Ladies, gentlemen e estultos serviçais, conheci uma patota supimpa, que prega uma ideia bacana à beça e pra frentex: separar São Paulo do restolho do Brasil. É pensamento de gente muito à frente de seu tempo – apesar de que alguns poucos reivindicavam isto em 1932. Será um estouro!

Fundaremos nestas plagas a Monarquia Bandeirante Liberal, MBL, sigla que lembra algo porvindoiro, futurista. Pode parecer uma imensa estupidez, que faria Adam Smith revirar no túmulo, já que o liberalismo nasceu para combater a monarquia do arco da velha, mas por que não pensarmos em algo inédito, insólito, extraordinário?

Eu serei o rei, é óbvio! Chamar-me-ão de Vossa Majestade Tupiniquim, aliás podem usar o título desde já. Darei continuidade ao despotismo esclarecido liberal nestas terras paulistas, legado de Sir Gerald Opus Dei Alckmist, mas o farei com mais sinceridade. Governá-los-ei por decretos, abaixo listo alguns:

1. Nomearei Lord FHC, o Pavão, como vice-rei figurativo. Ordenarei que instalem um enorme espelho em seu gabinete, assim, admirar-se-á durante o dia inteiro e se esquecerá das coisas da política, inclusive de dar entrevistas às mídias estrangeiras, o que só nos faz passar vergonha.

2. Deportarei todos os brasileiros da Monarquia Bandeirante Liberal e fecharei as fronteiras. Viveremos neste paraíso somente nós, descendentes puros da linhagem dos bandeirantes, aristocratas paulistas genuínos e néscios serviçais.

3. Declararei guerra ao Brasil, liderado pelo conspirador-mor da República, Michel, o Temível. E tal qual na Ilíada, de Homero, como Paris fez com Helena, raptarei a cocota lady Marcela e a desposarei. A primeira-dama desta Monarquia Bandeirante Liberal tem de ser bela, recatada e do lar.

4. Tornarei o uso de mesóclises obrigatório. Não ficarei por baixo de meu atual aliado golpista, mas futuro inimigo, quando se colocar no lugar de Menelau, marido de Helena de Troia.

5. Instituirei como grande herói deste reino bandeirante Fernão Dias Paes, que nomearei cavaleiro real post mortem. Autor de grandes feitos heróicos, como apresar e escravizar índios, foi também o Governador das esmeraldas, apesar de tê-las confundido com turmalinas.

6. Importarei Bolsonaro, o Parvo, e o nomearei bufão-mor do reino e coordenador-geral dos bobos da corte, cargo para o qual contratarei seu inhenhos eleitores.

7. Colocarei um fim à escola partidária. Não mais poderá se mencionar Marx, Bakunin e nem mesmo Paulo Freire nas escolas do reino. Exaltaremos nossos grandes intelectuais, como Reynald Azevedo, Rodrigo Konstantino e Luiz Phelipe Pondé.

8. Não mais permitirei que se forneça água contaminada do volume morto para a plebe paulistana. Encanaremos diretamente o esgoto, pois já estão acostumados a beber merda sem reclamar.

9. Cassarei concessões e fecharei todos os veículos de comunicação, exceção à Rede Globo, Rádio Bandeirantes e Revista Veja.

10. Ordenarei a exclusão da palavra golpe no dicionário bandeirante.

Sei que os cafonas e caretas comunistas gayzistas feminazis bolivarianos criticarão minhas medidas, portanto ordenarei a prisão de todos. Usá-los-ei para fazer sabão.

Destarte, desde já, alinho-me aos ignaros plebeus que pregam o separatismo em São Paulo. Precisarão de um líder à altura, alguém de estirpe, um sangue-azul quatrocentão como eu para orientá-los e comandá-los. Fá-lo-ei! Jamais fugiria à luta por este reino bandeirante.

Plebeus paulistas, uni-vos para separar-vos!