Nesses últimos dias, vivemos momentos de muita agitação, revolta e indignação entre os movimentos, os Povos indígenas e suas redes de aliados no Parlamento e em amplos setores da sociedade, após a indicação do general da reserva do Exército Sebastião Peternelli para a presidência da Funai. Essa absurda indicação foi feita por uma cúpula de pastores evangélicos do PSC, com evidentes preocupações de expansão religiosa dentro destas comunidades, mesmo após séculos de catequização nas aldeias, com consequente extermínio de culturas e práticas religiosas desses povos. Também se agrava essa situação pelo fato de esse general ser a favor da PEC 215, portanto contra a demarcação das terras indígenas, além de ser enaltecedor do golpe militar de 1964 e das atrocidades cometidas durante a ditadura.

Após 28 anos das conquistas alcançadas pela Constituição Federal e dos tratados internacionais assinados pelo Brasil a respeito do reconhecimento da diversidade étnica e cultural dos povos indígenas e de seu direito originário a suas terras tradicionais, vemos essa indicação como uma tentativa de travar de vez quaisquer formas de diálogo na construção de políticas públicas para os Povos e afrontar as lideranças indígenas que há séculos resistem com seus maracás, seus cantos, seus rezos, na luta pela Terra e pelo fortalecimentos de suas culturas.

Muitos brasileiros falam em golpe, mas nem todos se dão conta de que para as populações indígenas o que se passa hoje com o ilegítimo Governo Temer é sim comparável ao que se passou durante a ditadura e os processos de colonização, escancaradamente uma política etnocida e genocida que quer o fim dos povos indígenas, os quais, desde o princípio da chegada dos europeus, são considerados pela podre elite como uma “pedra no meio do caminho” ao chamado desenvolvimento e progresso.

Porém, graças à luta e resistência dos Povos Indígenas, que durante dias se manifestaram, ocuparam espaços públicos e deixaram claro sua posição sobre esse possível retrocesso, no último dia 6 de julho foi comunicado pelo Ministro da Justiça que o nome do general Peternelli foi descartado. Uma vitória para os Povos Indígenas!!!!

 A luta ainda continua e existem muitas pautas a serem reivindicadas e conquistadas, como a indicação de uma liderança indígena para a presidência da Funai, assunto que foi amplamente debatido durante a 1ª Conferência de Política Indigenista. Porém, essa liderança deve ser articulada e representar verdadeiramente os Povos Indígena desse nosso múltiplo Brasil.

O caminho é longo, mas o verdadeiro guerreiro resiste!

A todo Povo que Luta, Aguyjevete!!!

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