Bendito seja o vosso ouro, vosso cobre, vosso topázio. Bem-vindas vossas pedras brutas, que em nossas prósperas mãos se tornam os mais valiosos brilhantes. Bem acolhida será vossa prata, vossa esmeralda, vossa turmalina.

Abençoadas as drogas de vosso sertão, patenteadas por nossos laboratórios. Bem recebidos serão vosso urânio, vosso nióbio, vosso antimônio. Sagrados nos são vosso manganês, vosso cromo, vosso cobalto. Imperiosas são vossas riquezas vegetais e nossas empresas que as exploram.

Bem-aventurada seja vossa mão de obra barata, ungida mais-valia de nossas corporações. Deus proteja vossos déspotas, por nós empossados e suportados. Ditosa sois vossa riqueza, que financiou nosso progresso, nossos estados de bem-estar social: orgulho maior de nossa altiva gente.

Bendito sois vós, desde que vos conserveis onde estão. Porque não sois bem-vindos cá, senão quando precisarmos de baratos proletários. Hoje, vossos déspotas fazem guerra e querem que nós vos tutelemos? Não. Vossos déspotas, vossos problemas.

Nossos estados de bem-estar social são para nós, jamais para vós e os seus. Fomos nós que os construímos, ainda que com vossos recursos. Não pagaremos por vosso asilo. Mas prometemos orar por vós e vez em quando nos consternar e chorar por vossos mortos.