Quem poderia imaginar que a Primavera Árabe seria o início de uma onda de protestos e de levantes sociais que chegariam ao Brasil?

Descobrir como a internet poderia ser usada para organizar atos, disseminar informações e se tornar uma ferramenta de luta teve um papel predominante nesse fato.

Desde os caras-pintadas, o Brasil não via movimentos assim indo às ruas para protestar.

Em 2013, com o Passe Livre no comando, as ruas se incendiaram em torno da luta contra o aumento dos 20 centavos no transporte público. Depois lutou-se contra a Copa, contra a crise hídrica, contra a reforma educacional de São Paulo, mas agora é a vez das mulheres lutarem.

Agora é a vez de elas tomarem as ruas de São Paulo (e do Brasil, por que não?) pedindo por justiça, segurança e direitos que lhes são negados há anos por nós homens.

Confesso que é estranho me ver e me reconhecer como machista, mas reconhecer é parte da mudança, não é? Ao passo que apoio várias reivindicações, também não concordo com algumas coisas (como a fala de que todo homem é um estuprador em potencial), mas a verdade é que homens ou mulheres, todos nós ferramos com o machismo.

Não entrando no mérito de proporção ou gravidade, quantas vezes não tive vergonha de dizer que eu dançava ou que ainda gosto de dançar por medo de virar motivo de piada ou então tentar segurar o choro – afinal, homem não chora – quando eu sentia que meu mundo estava desabando?

Há alguns anos trabalhei com uma mulher da minha cidade natal cuja filha (acho que ela tinha por volta de 15 anos) foi estuprada e morta.

Lembro que ela (não vou dizer o nome por uma questão de respeito) andava com uma faca na bolsa 24h por dia e não era para se proteger, mas sim porque ela tinha a esperança de um dia achar o cara que fez isso.

Pela ausência de notícias, acho que ela nunca o encontrou, mas espero que tenha encontrado pelo menos um pouco de paz. Enfim, não dá nem pra dizer que eu imagino como seja sentir tamanha dor e muito menos que eu seria capaz de suportar isso, mas posso me atrever a dizer que eu entendo o que essas mulheres tanto pedem e tanto temem.

Também devo dizer, por uma questão de honestidade, que não concordo com tudo o que algumas vertentes dizem, principalmente as alas mais radicais, mas já dizia Evelyn Beatrice Hall (sim, essa frase não é de Voltaire, mas sim de sua biógrafa) “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.”

Sendo assim, só me resta dizer que hoje essa mulherada realmente mostrou que está disposta a lutar e a se posicionar por um mundo melhor e mais justo.

Só peço uma coisa: Na luta pela igualdade, por favor, não adquiram os mesmos defeitos que nós temos.

Perfeição não existe e gente ruim existe como homem ou  mulher, mas se o objetivo é melhorar, vamos focar no que há de bom, mas com cuidado, afinal quando se olha tempo demais para o abismo, ele pode olhar de volta para nós.

**Dedico essas fotos às queridas amigas e feministas convictas de que, mesmo nem sempre entrando em acordo comigo, ainda preservam a antiga e quase esquecida arte de dialogar e respeitar opiniões contrárias. 

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