A relação entre corpo e moda é muito maior e possui outros significados além do padrão de beleza a ser seguido, o mais lembrado. Sim, a roupa já transformou e (re) modelou muitos corpos nesses pouco mais de seis séculos de existência por motivos sociais, culturais ou puramente estéticos.

De linhas retas a curvas, o corpo feminino foi o que mais se alterou com as mudanças das roupas, principalmente, após a Revolução Industrial, quando o público feminino se tornou o principal para este mercado.

Dos espartilhos, na Renascença e na Era Vitoriana (século XIX – aliás neste período, algumas mulheres chegaram a serrar as costelas para afiná-las ainda mais), às crinolinas, finalizando pelas anquinhas, o corpo era diferentemente adornado e alterado. Quem “libera” o corpo feminino dos espartilhos é Paul Poiret.

Todas essas alterações tinham como objetivo muito mais um comportamento sociocultural do que uma relação de padrão de beleza.

Apesar dessa relação complicada com o corpo feminino e seu molde, a partir do século 20, a moda trouxe e reconheceu outros tipos, como o andrógino. Na década de 90 essa questão de gênero estava em alta, inspirada e influenciada por referências artísticas, como o músico David Bowie.

E, embora ainda esteja no consciente de muitos sobre a definição de masculino e feminino, há mais de quatro anos, é possível ver medidas para tirar a definição de gênero das roupas.

Mas, a principal relação entre corpo e moda é a estabelecida dia a dia, por cada indivíduo, como se comporta com o próprio corpo e o veste. E também o quanto permite que o outro tenha essa mesma liberdade. As maiores transformações da moda feitas diretamente no corpo humano só existiram porque havia normas morais e éticas para tal.

A moda pode tentar nos impactar. No início dos anos 2000, foram os analistas do mercado que quiseram a volta da cintura alta, porque o corpo das mulheres (e de novo) estava começando a ficar sem forma. Só após uns cinco anos, é que a moda caiu no gosto das pessoas e o modelo voltou a fazer parte do guarda-roupa. Mas a verdade é que a moda, por ser acompanhada de muitos significados, só passa a fazer parte do nosso dia a dia quando nós deixamos.