Mulheres

mirando-se em Atenas

nunca precisam esperar

por nenhum marido

força e raça e sei lá mais o quê.

Apenas

só de si precisam,

as Atenas,

e vão dar um rolêcoazmigas

afinal, hoje é o seu dia de folga

e ser Atenas só sendo Atenas

e uma cervejinha pesa menos que um escudo

 

Mulheres mirando-se em Atenas

banham-se em quente leite

derramado pelo meio

de suas próprias

melenas crespas

e quando humilhadas,

apedrejadas,

encoxadas no busão

quase

impotentes

“falenas!”

não choram

(de imediato),

abaixam-se,

e já próximo de se ajoelharem

dão uma voadora

(borboletas?)

bem no meio do orgulho

e raça e prepotência

dos semideuses

de merda

lembrando a eles que é a cidade quem tem

nome de mulher

guerreira

e não o contrário

 

Mirem-se no exemplo

Daquelas mulheres

que qual Atenas

despem sua roupa aos seus queridos

e tecem  longos bordados em novelo embaraçado

e carícias obscenas

deitadas em rito

livres e sedentas

 

e em nome das que ainda Helenas em quarentenas

empenham-se muralhas

nem um pouco pequenas

e sem dó

com sua força e amor

se impõem grandes e plenas:

– Sai da frente senão a gente te arrebenta!

e de suas novenas as liberta

as falenas, as sirenas, as Helenas

e o orgulho e o pau de quem as desuniu…

comem como petisco de sua cerveja

apenas

afinal

hoje é dia de folga e ser Atenas só sendo Atenas

e uma cervejinha pesa menos que um escudo

 

Atenas guerreira

orgulho, força e raça

de seu próprio corpo

cidade-fortaleza

mirando-se em si

certeiras.