A soma de alguns projetos musicais compõe o espetáculo mineiro “Identidades Gerais”, que vem se renovando desde 2013, em apresentações pelo país. A africanidade e religiosidade são representadas no show pelo grupo A Quatro Vozes (agora em trio), que tem raízes no Sul de Minas.

“Identidades” têm grandes momentos lítero-musicais. Do oeste mineiro, Vivi Barreto, de Divinópolis, canta o feminino e dá vida a textos de Adélia Prado. Do Norte do estado, Ana Flávia Almeida apresenta Estações do Rosa, faz contação de histórias com textos do escritor, usa berrante e canta músicas desse universo, como  “A Terceira Margem do Rio”, composta por Milton e Caetano para o filme homônimo e originário de um conto de Guimarães Rosa.

A paulistana Nani Barbosa canta, toca violão e encanta com a flauta transversal, enquanto a  percussionista Cássia Maria faz do corpo um instrumento cênico. O único homem entre sete mulheres é o multi-instrumentista Brau Mendonça (violão de 6 e 12 cordas e bandolim).

Espetáculo fomentado pela Secretaria Estadual de Cultura de Minas, voltou ser apresentado no Teatro Municipal de Guaxupé, na programação natalina. Há três anos, teve encerramento com folia de reis e pastorinhas no palco. Agora, a expressão cultural e religiosa se faz presente no encontro das seis vozes interpretando “Santos Pretos”, música de procissão de algumas cidades históricas mineiras. Outra forma de oração é Bandeira do Divino.
Antes do encerramento com samba de roda, Guimarães Rosa quase deixou mensagem de esperança: “Rezar muito e ter fé. Porque as coisas estão todas amarradinhas em Deus.” Adélia, que criou o clássico personagem Theodoro (Theo, Deus, eu te adoro),  diria certezas: “Sei que Deus mora em mim como sua melhor casa.”

Sons Negros e brasileiros

Com mais de 20 anos de carreira, A Quatro Vozes fez outras turnês em 2016. “Sons Negros”, com músicas de Milton, Gil e outros compositores, percorreu vinte unidades do Circuito Sesi, em São Paulo. Pela produtora Por do Som, o trio das irmãs Dora, Jurema e Jussara Otaviano participou do projeto Sotaques Brasileiros.

Elas cantam clássicos da MPB, resgatam canções de domínio público e pesquisam raízes da música brasileira, com um olhar voltado para a mescla das raças matrizes do país: índios, brancos e negros. No CD “Felicidade Guerreira”, lançado no 33º Festival de Inverno de Campo do Jordão, houve pluralidade de estilos: calango, balada, bossa, samba e Chico Buarque com o cubano Pablo Milanés. Elas se apresentaram na Festa do Fogo, em Cuba.

“Canto de Minas”, indicado como um dos melhores grupos pelo prêmio Tim, é eclético. Faz reverência ao Clube da Esquina, tem samba, canções autorais e raízes musicais do estado mineiro. O CD “Interior” não se restringiu às potencialidades de cidades interioranas e registrou a canção medieval “Tirana da Rosa”, trazida pelos portugueses. Elas levaram a mpb a Portugal, na Mostra de Fado. Cantaram em Lisboa, Sintra e Coimbra.

A América Latina é outra fonte de interesse. Pesquisaram ritmos afrolatinos no Peru e Uruguai, cantaram num festival latino-americano em Montevidéu. No Amazonas, que é quase um país, fizeram intercâmbio e pesquisa cultural em comunidades indígenas ribeirinhas dos rios Negro e Solimões. O projeto Cooperifa se formatou como concertos didáticos em escolas de São Paulo. Entre tantos sotaques, o trio se integrou com uma comunidade negra egípcia, descendentes da época de faraó núbios. O próximo projeto é “Banto”, etnia africano que subdivide em mais de 300 subgrupos, mantendo em comum a linguística banta. Foram os primeiros negros a chegarem ao Brasil.

Na seção Multimídias do site www.aquatrovozes.com.br  tem gravações e vídeos disponíveis no Youtube. Como indicação, Tião Quixote, de Ítalo Coragem e Rubens Baquião, é um gigantesco e apaixonado choro alado.

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