Voto: instrumento democrático que permite ao povo substituir um déspota por outro a cada quatro anos.

Terrorismo: justificativa para intervenções militares em países com vastas reservas de petróleo.

Prudência: a refinada arte de olhar para os lados antes de surrupiar alguma coisa.

Civilização: o conjunto de torpezas, atrocidades e violações que se praticam em nossa sociedade.

Barbárie: o conjunto de torpezas, atrocidades e violações que se praticam em outras sociedades.

Catarro: base da dieta das crianças com idade inferior a quatro anos.

Homem: animal bípede com estranha vocação para andar de quatro.

Covardia: o que fizeram conosco.

Deslize: o que fizemos aos outros.

Amanhã: talvez amanhã, talvez depois de amanhã, talvez nunca, quem sabe?

Etiqueta: a arte de soltar peidos sem chacoalhar os fundos da calça.

Sogra: mulher que na intimidade trata a filha feito um lixo, mas em público age como se ninguém fosse digno dela.

Imprensa: veículo de notícias fabricadas, distorcidas, exageradas e fantasiosas.

Sabedoria: o que nunca temos.

Estupidez: o que nunca nos falta.

Ambição: um desejo que ainda não foi frustrado.

Confiável: pessoa cujo passado desconhecemos.

Reflexão: procura de fatos que confirmam nossas ideias combinada à rejeição de fatos que poderiam desmenti-las.

Censura: restrição à autonomia intelectual que abrange todo o processo criativo, desde a produção até a divulgação de uma obra. A retirada de um livro das prateleiras, por decisão judicial, é apenas a última e mais visível etapa da censura.

Retalho: o livro como chega às prateleiras depois das sucessivas censuras a que foi submetido.

Vendido: autor que nunca teve problemas com a censura.

Suicídio: um gesto incompreensivelmente raro quando se constata de que é feito este mundo.

Novela: o longo período que medeia o primeiro “oi” e a primeira noite de sexo.

Grátis: o que foi pago sem conhecimento.

Jamais: agora mesmo.

Extorsão: o preço de qualquer coisa.

Flanelinha: extorsionário que cobra salário para proteger veículos de atos de vandalismo que ele mesmo intenta praticar, caso não seja pago pela proteção que oferece.

Avião: meio de transporte com alta propensão para explosões, colisões e queda livre.

Temido: o que se diz do intelectual cujas grosserias amedrontam mais do que as ideias.

Político: bode expiatório da corrupção coletiva.

Ignorância: não saber que sua mulher está tendo um caso com o vizinho.

Estupidez: saber que sua mulher já dormiu com o padeiro, o açougueiro e o lanterneiro e ainda assim duvidar dos boatos.

Morto: o modo como deveríamos ter nascido.

Vivo: em estado um pouco melhor do que morto.

Enterro: cerimônia fúnebre marcada pela presença de estranhos, ingratos e oportunistas.

Sofisma: a base de todo discurso, escrito ou oral.

Admiração: o que os europeus dizem sentir pelo Brasil quando são interpelados por repórteres brasileiros em terras brasileiras.

Mendicância: costume que os repórteres brasileiros têm de perguntar aos forasteiros o que eles acham do Brasil.

Brasileiro: pessoa que reclama do Brasil o dia inteiro, mas se indigna quando um estrangeiro fala mal do Brasil.

Esposa: a mulher com quem o marido trai a amante.

Onisciência: atributo das prostitutas, dos michês e das travestis.

Original: plagiado de fonte desconhecida.

Assistencialismo: cortina de fumaça para ocultar interesses mesquinhos, negócios escusos e atividades criminosas.

Tolerância: atitude que somos obrigados a adotar quando não podemos exterminar um inimigo.

Detetive: bisbilhoteiro profissional que, em virtude do resultado de suas pesquisas, prefere se manter celibatário.

 Pretendente: aquilo que é escasso quando estamos solteiros e abundante quando já estamos comprometidos.

Disponibilidade: o que só existe para aquilo que não queremos ou de que já não temos necessidade.

Necrofilia: tentativa de antever o sexo na terceira idade.

Cinismo: o hábito de ouvir um estampido e perguntar: “Quem se matou?”