quando um cano do esgoto da mídia bandida estoura em forma de “matéria”, nunca compartilho, pelas seguintes razões:

– certos veículos, sabendo-se dignos de desprezo [e, por isso, à beira da iminente falência], apelam à escatologia moral como último recurso para transformação da mais justa e legítima indignação na mais baixa forma de publicidade;

 

– não aumentar a cortina de fumaça que as “pautas” da vez criam, desviando-nos em absoluto do que realmente deve ser discutido: em todas as vezes, a urgente democratização da comunicação, e, no caso dessa semana [mais uma vez], a criação de todas as ferramentas possíveis para a conscientização massiva de que as questões de gênero não se circunscrevem aos direitos de uma fatia da sociedade, mas ao dever do Estado de, para o bem-estar de todos, civilizar o que resta de selvagem no país; e

– por fim, mas não menos importante, para não estimular o mimetismo do ódio, tão comum às redes, e com um agravante: sua normalização, calcada no raciocínio [sic] de que o “nosso” ódio é justificável, uma vez que é reação ao ódio “deles”.

pegue-se o caso dessa semana.

não li, nem lerei a tal “matéria”.

não precisa.

a capa fala por si: se se abrir a revista na “matéria” a que corresponde, impossível não remeter à imagem do abjeto estuprador de esquina que, à aproximação da vítima, abre o casaco e lhe mostra o pau.

uma das reações mais comuns que vi aqui, dentre os que leram a coisa, foi a de emular a misoginia da revista, dirigindo-a à diretora da revista em Brasília, que também assina a matéria, destinando-lhe os mais baixos adjetivos – a maioria destes, de cunho pessoal.

é um alívio saber que, estabelecido o direito de resposta, o conteúdo da resposta não será submetido a plebiscito popular…

débora bergamasco fez o que fez tal e qual quando ganhou “fama” [o dossiê do delcídio do Amaral], não por desprezar o fato de ser mulher como a presidentA, frustrando a menor expectativa de alguma consideração solidária, ou porque seja “uma vaca”, “uma vagabunda” e tal e coisa.

bergamasco é, profissionalmente, desonesta.

pessoalmente, oportunista – e paremos aqui, no limite que cabe ao caso, que é o da personalidade até o ponto em que esta é inerente ao trabalho. e, moralmente, desprezível.

nada disso tem a ver com sexo, gênero.

e o mais grave, livra a cara de quem assina a matéria com ela: sérgio pardellas, que não é mulher, a menos que a razão, ou a vergonha na cara, tenha ido definitivamente para as cucuias – tal como já o foi entre os golpistas fascistas.

bom dia, pé na reta, fé na curva e à luta.

ps: Dilma, quanto mais tentam te destruir, mais LOUCO fico por ti, tua força, tua Dignidade.

tamo junto. até o fim. em 2018.

e eu tenho a mais sólida certeza de que, muito antes do que se imagina, a vergonha de teus algozes se repetirá, seja de forma constrangedoramente pública ou no modo mais repulsivo: em covarde silêncio.