Resistimos a mais de 516 anos de golpes. Ainda querem nos calar. Vamos gritar mais forte. Mesmo em meio a censuras, violências e falta de reconhecimento, estamos dando continuidade à luta dos Povos Originários desse país. Estamos indignados, mas não irados. Estamos prontos para a guerra. Se nos matarem, vamos renascer! Essas são palavras que uma vez escutei de uma liderança indígena e que se encaixa perfeitamente nesse obscuro momento que estamos vivendo.

 O golpe de 2016 entra pra história de nosso país como uma das maiores violações aos direitos do povo brasileiro. Em meio a interesses políticos, escancaradamente passaram por cima da vontade popular, e hoje nos vemos diante de uma crise sem precedentes. Na ânsia de se tornar presidente por rápidos caminhos e sem ter que disputar uma eleição presidencial, Michel Temer se ligou a conhecidíssimos proprietários de terras que têm o prazer de escravizar trabalhadores e que praticam violências contra os povos indígenas. O golpista não poderá defender os povos dessa Terra sem comprometer a base política que está construindo. Além de ilegítimo, o novo governo nasce com um imenso embate: o que fazer com os povos indígenas. Certamente, usará das mesmas truculentas violências cometidas durante a ditadura militar, que mutilou milhares de culturas, calando línguas maternas, cegando saberes e intimidando espiritualidades milenares.

 A pauta indígena sempre foi uma questão difícil no Brasil porque ela fere muitos interesses econômicos. Não penso que no governo Dilma tivemos uma plenitude de garantia dos direitos indígenas, mas a situação agora é muito pior, porque aqueles que estão ocupando o Executivo são aqueles que já vinham pautando retrocessos na questão indígena e outras, como a questão quilombola e ambiental. Em nome da ordem e do progresso, pretendem aprovar medidas administrativas, jurídicas e legislativas para invadir mais uma vez os territórios com grandes empreendimentos: mineração, agronegócio, hidrelétricas, portos, rodovias e ferrovias.                                                                                                                                                          Dessa forma, o que para o povo brasileiro, de um modo geral, é agressivo, é inaceitável, para os Povos Indígenas destruir cemitérios sagrados, matar lideranças, entupir rios de substâncias tóxicas, derrubar árvores centenares, impossibilitar que suas terras sejam devolvidas é um golpe contra o qual há mais de 500 anos resistem e com que convivem  a cada novo amanhecer. A Constituição Federal, em seu art. 231, garante aos Povos Indígenas o direito ao uso das terras e das práticas de suas culturas ancestrais, porém esses direitos estão sendo violados todos os dias.

No entanto, enquanto os maracás estiverem soando dentro das casas de reza, as crianças cantando e os rezadores entoando a palavra sagrada, ainda haverá resistência. Em cada semente de milho, de abóbora, de mandioca, de palmito, de cambuci, de jaracatiá, de pacuri, de embiruçu, de taioba, de pariparoba, de banana, de plantinhas sagradas que curam, e enquanto estiverem sendo cultivadas, ainda haverá a certeza de que esses tempos sombrios passarão.

O caminho é a Desobediência Civil, a Resistência e Resiliência dentro do coração de cada um ! Resistir para sobreviver! Acreditar para não deixar de Sonhar!

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