Sem nenhuma liderança se expondo além de Ciro Gomes e Guilherme Boulos durante meses, a esquerda ficou órfã e prostrada, com dificuldades de mobilização.

Agora o único líder de massas brasileiro volta à ribalta em grande estilo.

Recolhido na medida da possibilidade primeiro com o pico do denuncismo contra ele, depois pela morte da esposa, Lula já farejou o momento cuidadosamente esperado e saiu da toca como líder popular que vai impedir o fim da aposentadoria.

Prepara sua candidatura à presidência simplesmente porque não lhe restou nenhuma alternativa.

Precisa se proteger aos olhos do Brasil e do mundo da perseguição judicial colocando-a na conta de sua liderança eleitoral.

Sua estatura e habilidade fazem de todo evento judicial contra ele um palanque e uma desmoralização de nosso judiciário venal.

Mas com o agravamento da crise social, política e econômica brasileira, sua candidatura pode se tornar inevitável, até para parte da burguesia.

Para evitar o racha na esquerda, Lula tem que fazer acenos a Ciro.

Mesmo porque, depois de Dilma, sabe que precisa de um vice que o rentismo, a Globo e a CIA temam tanto ou mais que ele.

Mas é muito mais que isso.

Ele sabe que Ciro cresceria na campanha.

E acima de tudo, ele precisa mostrar para os inimigos burgueses que, se eles o prenderem, tem uma candidatura competitiva para apoiar e vencer.

Porque todos, menos os petistas, sabem que o PT sem Lula não tem a mais remota chance de vencer o segundo turno em 2018, e dificilmente sequer chegaria a ele.

Assim o velho dilema da burguesia brasileira se renova. O “Lula solto é presidente, preso é mártir, morto é mito” se transforma em “Lula solto se elege, preso elege, morto, convulsiona o país”.