Definitivamente, mergulhamos nas trevas, vivemos uma era de obscurantismo, corrupção, ladroagem, rapinagem em nenhum momento imaginado nem no meu pior pesadelo. Para piorar, vivemos um regime de exceção consentido em que apenas algumas dúzias de facínoras criaram um ajuntamento de malfeitores e, espalhados pelos três poderes, colocaram uma nação aparvalhada de joelhos.

A justiça foi expulsa de campo, tomou conta do judiciário uma choldra malcheirosa de patifes da pior espécie, uma raça que fica até difícil de explicar, não só sua existência, como sua permanência e, por que não dizer, a subserviência lacaia de todo o aparato jurídico nacional que faz juristas se calarem, associações corporativas de classes se portarem como facções menores de uma quadrilha maior.

Pegaram o nosso código penal e processual romano-germânico, jogaram fora, rasgaram a constituição e limparam as partes com ela, implementaram o sistema jurídico americano, o common law, só que amparados por um foro especial, corporativo de inviolabilidade e sem controle externo. Para partirmos as amarras desse golpe judiciário aplicado sem um grito ou demonstração de repulsa pelo meio jurídico, teríamos que recorrer à barbárie, pois o diálogo não mais se aplica.

Hoje o Paraná é a nossa Prússia e a décima terceira vara criminal de Curitiba se porta como a Geheime Staatspolizei, mais conhecida como Gestapo, e seu chefe supremo e abaixo apenas do fuhrer Hermann Göring se personifica e se encaixa perfeitamente na figura do juiz Sérgio Moro, alguém que simplesmente faz o trabalho sujo de um grupo que tomou de assalto o poder e necessita aniquilar seus adversários a qualquer preço.

A diferença básica e que torna a nossa situação bem mais delicada é que os nazistas eram nacionalistas, faziam atrocidades, perseguiam, prendiam, destruíam o ordenamento jurídico alemão para destruir seus adversários, mas dentro de um projeto nacionalista, enquanto nossos verdugos, para piorar, não passam de vendilhões sem ideologia alguma.

Agem apenas por interesses vis e de fundo pecuniário, haja vista a sanha do procurador Dallagnol com a sua ótica pervertida de moral e ética que se jacta de ser um paladino da moralidade, enquanto por outro lado caça moedas através de palestras toscas e investe em imóveis subsidiados para os mais desamparados da sociedade.

Essa semana o círculo se fecha enquanto o nosso povo movido a novelas, excesso de flúor que lhe corrói o cérebro e uma mídia tão bandida quanto a quadrilha que apoia, continua marchando como gado para o tronco. O último bastião de resistência popular e democrática será ceifado e assim deixando o caminho livre para que nos tornemos primeiro uma imensa Colômbia. Um país sul-americano onde, apesar de 40% da população viver abaixo da linha da miséria, nenhum partido de cunho social ou trabalhista consegue se estabelecer, e onde metade da elite, apesar da pose, vive afundada e chafurdada no narcotráfico.

Depois dessa breve escala, nos tornaremos um imenso Haiti, um paraíso tropical para americanos em férias virem externar suas taras com os nossos filhos.

Com a destruição do projeto do que seria a inexorável volta de Lula capitaneada pelos maiores corruptos e vagabundos que essa terra jamais produziu, e levada a cabo pela pior e mais podre gangue de lacaios travestidos de magistrados, procuradores e delegados, voltaremos todos felizes ao Brasil que nunca deveríamos ter abandonado, pois essa é a nossa sina, é esse o nosso destino.

O Brasil da esperança e do futuro, o país que sempre andou com uma cenoura pendurada à nossa frente, mas amarrada no nosso próprio lombo. Voltaremos a ser o país que luta, trabalha e morre de fome para fazer crescer um bolo que nunca será cortado, mas onde os cozinheiros e o pessoal da cozinha estão estranhamente cada vez mais gordos em contraponto ao povo cada vez mais magro.