Dias atrás estava conversando com um europeu sobre um programa social em seu país que ajuda homelessness. O programa dá a necessitados algo em torno de duzentos euros por semana (cerca de R$ 800,00 reais na cotação de hoje).

Segundo o Porta da Transparência do governo, a média recebida por um beneficiário do Bolsa Família, uma das principais indignações contra o governo pois sustenta “vagabundo”, é de R$ 306,00. O programa custa R$ 27 bilhões por ano aos cofres públicos e beneficia quase 14 milhões de brasileiros. (o programa de pensionista dos militares custa R$ 24,5 bilhões e beneficia apenas 300 mil pessoas).

Perguntei ao europeu se ele não se sentia incomodado com um programa dessa natureza, afinal, ele trabalhava duro pra ganhar o seu dinheiro.  Essas pessoas, muitos alcoólicos, drogados, não precisavam trabalhar pra receber dinheiro do governo. Ele, muito calmamente me disse:

– Claro que não. Se esses caras não tiverem o que comer, eles terão que ir à minha casa assaltar. Se não à minha casa, à casa de outra pessoa. Isso é uma bola de neve. Além do mais, porque eles não teriam o direito de comer? Porque eles não teriam o direito de um abrigo? Muitos não estão nessa situação por vontade própria. Muitos realmente “estão” (e não são) doentes.

Esse raciocínio parece funcionar. No ano de 2014, esse mesmo país registrou um índice de homicídios baixíssimo. Menos de 2,5 por grupo de 100 mil. Segundo a OMS o índice brasileiro é de 32,4 por grupo de 100 mil (a média de países ricos é de 3,8).

O liberalismo de Mises e de Smith em detrimento do Estado mínimo é outra das indignação dessa classe média que mal lê revista em quadrinhos, quanto mais livros de economia. É bom lembrar que segundo a OCDE a média brasileira de livros/ano por habitante é de 1,5. A média mundial é de 10. Países como Suíca e França é de 20.

A corrupção, terceira indignação de hoje, só vale para Lula e o PT. Nomes como Aécio, o meritocrata que esbanja patrimônio advindo da herança de famílias “tradicionalistas” e de uma vida política duvidosa e improlífera não entram nessa lógica. O mesmo vale para Cunha, Sarney, Serra, ACM, FHC, entre muitos outros que possuem uma historia “parecida”.

Então qual a origem desse ódio barato e vulgar por Lula? Qual a princípio desse fenômeno? Eu tenho várias respostas plausíveis mas optarei por não fazê-lo. Deixarei que uma fala solta de Lula na coletiva de imprensa de  ontem após o “ocorrido” fale por si mesma.

 […] “Todo mundo pode, menos a merda de um metalúrgico”. (Luís Inácio Lula da Silva)

Darcy Ribeiro tinha total razão à respeito da classe média brasileira. Total razão.