Durante muitos séculos, os pajés nos quatro cantos do planeta vêm equilibrando a vida aqui na Terra, através de seus cantos, rezos, curas e sabedoria, proferindo a palavra sagrada e transmitindo a essência de sua cultura. Eles são médicos, rezadores, curandeiros, conhecedores de sua ciência e filosofia.

Porém, desde o período da colonização, homens missionários, em nome de seu Deus, chegam estupidamente querendo enfiar na cabeça de milhares de povos o evangelho de Jesus, usando de suas próprias palavras para argumentar seus propósitos, que resultaram no maior etnocídio de nossa história. Diziam que, segundo a Bíblia, Jesus teria dito para ir a todo lugar e pregar o evangelho para todas as criaturas. E quem não fosse convertido seria condenado e queimaria no fogo do inferno. Com isso se empenharam durante séculos em conquistar as almas dos povos indígenas das mais terríveis e perversas formas, como o uso do acesso a cestas básicas, roupas velhas, muitas vezes até sujas, medicamentos, aspirinas, novalginas para trocar pela conversão.

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 Além do etnocídio, também ocorreu um genocídio, devido a doenças contraídas e até suicídios coletivos por povos que se negavam à conversão. O genocídio matou os povos em seus corpos físicos e o etnocídio em seu espírito, sua essência, que é a sua cultura.

No entanto, as missões foram expulsas das terras indígenas pela Funai desde 1991. Nessa época, muitas foram as acusações, como escravidão, abuso sexual e o monopólio do acesso à saúde e educação, muitas vezes usavam das escolas através da alfabetização para catequizar e converter os povos. Na verdade, o comércio das almas era e é até hoje um negócio altamente lucrativo para as .empresas missionárias, chamadas igrejas. E o valor dessas almas variavam muito, os indígenas considerados isolados eram os mais cobiçados, pois rendiam mais a quem os convertesse.

Nessa obscura disputa por almas, ha muitos valores por detrás; o poder, o dinheiro, o controle de territórios e de mercados fazendo com que culturas milenares ficassem submissas a um único Deus, que muitas vezes pertencia a uma “religião alienígena“ para os olhos e ouvidos dos Povos da Floresta.

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Vivemos hoje uma crise política, econômica e social sem precedentes, com um governo golpista e ilegítimo que não respeita e não pretende dar atenção a essas graves questões, e até hoje, após mais de 500 anos, há missionários cristãos que ainda insistem em invadir territórios indígenas para assassinar culturas ancestrais.  Existem no Brasil mais de 220 povos atualmente, lamentavelmente alguns já perderam suas crenças, suas rezas, sua língua, e passaram a ler a Bíblia e tomar aspirina, novalgina pra tirar as suas dores, que muitas vezes médico formado na universidade nenhum cura, pois a doença espiritual somente os seres que se comunicam com os espíritos da floresta, os pajés, somente eles terão sabedoria e força pra curar.

Os espíritos da floresta estão bravos, estão pedindo socorro, pois cada árvore derrubada, cada rio contaminado está fazendo com que eles desapareçam. Assim disse um sábio pajé, a floresta é um portal cristalino, e todos nós seres humanos precisamos dela. Se acabar a floresta, acabará também nosso espírito, pois ele só vive se a floresta estiver viva.

 Basta de etnocídio!

 Os pajés precisam ser respeitados agora, antes que seja tarde demais e o Céu caia sobre nossas cabeças!

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