É hora de assoprar as velinhas de lama tóxica do primeiro aniversário do maior crime ambiental da história do Brasil.

O saldo até agora? Senta aí que a coisa é longa: vinte mortos (sim, não são dezenove, pois houve um aborto por causa do rompimento da barragem), centenas de desabrigados, o ecossistema do Rio Doce e afluentes completamente dizimado, milhares de animais contaminados ou mortos, populações ribeirinhas deixadas à míngua. balneários capixabas com águas poluídas, impactos econômicos imensuráveis (empregos perdidos, desvalorização imobiliária, impacto no setor turístico e de hotelaria, entre tantos outros) e grandes cidades com abastecimento de água seriamente comprometido.

E a Samarco, responsável por toda essa desgraça, mas que bancou tantas campanhas de políticos em 2014, o que fez desde então? Seria injusto dizer que não fez nada. Fez sim, mas apenas pela manutenção de sua mais completa impunidade.

A subsidiária das gigantes Vale e BHP atravanca com recursos e apelações jurídicas intermináveis o pagamento de 400 milhões de multas e de ações compensatórias. Até a data de hoje não pagou NENHUM CENTAVO e não ressarciu NENHUMA FAMÍLIA afetada. E ainda teve a pachorra de prometer novas casas para os desabrigados de Mariana a serem entregues em 2019!

Para completar o show de horrores o que Temer, o Pequeno, fez agora que essa vergonha mundial volta aos noticiários? Recebeu os executivos da empresa criminosa para um cafezinho no Palácio do Planalto.

Assim, chegado este aniversário e com o conluio explícito do golpista com os criminosos de gravata e ternos caros, encerra-se um ciclo: a lama tóxica da Samarco transcende a desgraça de Mariana e se transforma num lodo metafísico que permeia Brasília, Minas Gerais. Espírito Santo e os lares de cada brasileiro envergonhado pela impunidade institucionalizada e favorecimento dos poderosos sem camuflagens nem eufemismos.

E é essa lama que é esfregada no rosto de cada um de nós, a cada crime privado, a cada PEC, a cada sorriso de congressistas vendidos, a cada desmando judiciário, a cada medida de um executivo sem representatividade alguma.

(a triste foto que ilustra este desabafo tirei do Rio Doce já defunto, com seu leito de águas outrora límpidas soterrado pela lama marrom e quase sólida de mineração contendo inúmeros metais pesados – e isso perto de Governador Valadares/MG, a mais de 340 km do epicentro do crime ambiental)