Um maremoto de ratazanas aveludadas amacia

nossas carnes, caminhos de pélago.

hidratados de sonhos e lágrimas

os meus cabelos crespos

de pequena periférica

profanizam  seu jeans cool

 

Kitsch?

foder com pássaros não é para alinhados, meu bem!

é cravar as unhas no asfalto

e cortar o concreto pelo esfarelado da carne

sabendo-se nisso

sal e dor

e mijar

gostoso

naquele muro de seis metros

cagando na grama e na cara

das câmeras-armadilhas

que a nós mantêm

cativos

copular com pássaros e ser um deles

cagar em monumentos

engessados

fazer amor na praça

(AMOR)

naqueles frígidos bancos

de divisórias antimendigos

 

babar o amor sujeito,

lambuzar-se em asterismos…

comer o cu da histeria da civilidade

em cumplicidade

com a sujeira

e aprender a  voar,

e voar…

ejaculando na frieza e no mármore

o voo e o gozo do voo.