Depois de ter assumido que fabricava chuteiras com pele de canguru, a Adidas teve a imagem desgastada e foi pressionada por ambientalistas. Como estratégia, lançou em 2016 camisetas de futebol e tênis de corrida produzidos com plástico retirado de oceanos. Esses produtos reciclados foram lançados pelos jogadores do Bayern de Munique e Real Madrid. Ainda este ano, mais uma inovação da marca: tênis de alta performance feito com seda de aranha artificial. A teia de aranha foi fonte de inspiração, e a rede de boicote continua em relação à pele de canguru.

O falso mercado de notícias divulgou que a Friboi, do Grupo JBS, era propriedade do filho do ex-presidente Lula. Foi o suficiente para haver boicote na diversificada linha de marcas do grupo, que adquiriu a Swift (carnes e enlatados), a Serasa, leite Leco e se tornou sócia dos produtos lácteos Vigor. Em época de denúncias políticas, a construtora Camargo Correa vendeu à JBS a empresa Alpargatas, produtora das sandálias Havaianas e os calçados Mizuno e Timberland. A concorrente Ipanema tem vendido muito, enquanto a Havaianas passa por uma reestruturação de marketing.

Denúncias trabalhistas prejudicaram menos este grupo empresarial do que a aquisição das marcas Neutrox, sabonete Francis e xampu OX, posicionadas na listada PETA (ONG de proteção animal), como três produtos que não fazem teste em animais durante o seu processo produtivo. Grande parte dos consumidores desse trio de marca era protetor de animais, que hoje se recusa a ser cliente do maior produtor e exportador de carnes do Brasil.

“Anunciou na Globo, eu não compro”, é o atual boicote político. O site Canal Rural, adquirido pela JBS, também enfrenta esse problema. Afinal, muitos ainda têm certeza de que a Friboi é do filho do Lula. Outro veículo de comunicação que não conseguiu recuperar a credibilidade mundial é o Yahoo, associado à matança indireta de elefantes. Com um milhão de assinaturas na plataforma Avaaz, o Yahoo Japão foi proibido de vender produtos de marfim. O maior prejuízo foi a redução de e-mails gratuitos e anunciantes.

Alguns boicotes têm uma lógica complexa. Para uma parcela de protetores animais basta que a Natura não faça mais testes em animais. Por outro lado, muitos eleitores deixaram de votar e confiar em Marina Silva para presidente diante da associação da candidata com duas corporações que sonegam impostos. Em 2013, a Receita Federal cobrou da Natura R$ 627,8 milhões por impostos não recolhidos. O Itaú foi autuado em R$ 18,7 bilhões por sonegação fiscal em 2008, quando da fusão Itaú e Unibanco.

Depois de cinco anos, a maior produtora de alimento do mundo, a Nestlé, confirmou a utilização de mão de obra escrava e infantil na colheita de cacau, em países africanos.  Em 2011, o documentário “O lado negro do chocolate” – disponível no Youtube e dirigido pelo dinamarquês Miki Mistrati – revelou escravidão e tráfico de crianças e adolescentes em fazendas de cacau, envolvendo outras seis grandes marcas mundiais de chocolate, como a Kraft (Lacta), Hershey,Godiva…

“Os Princípios Nestlé de Gestão Empresarial e o Código de Conduta de Fornecedores Nestlé abrangem o trabalho infantil e estamos tomando medidas para eliminá-lo progressivamente, avaliando os casos individualmente e abordando a raiz de suas causas”, declarou a assessoria de comunicação da multinacional suíça em 2016. Dois anos atrás houve uma ação ambiental para melhorar a imagem institucional. A partir de 2014 a corporação não ia mais adquirir produtos provenientes de animais confinados, como suínos em gaiolas de gestação, galinhas poedeiras em gaiolas de bateria e bezerros em gaiolas de vitelo. A marca ainda apoiou a campanha “Segunda sem carne”.

Muito mais do que elogios, a Nestlé recebeu questionamentos em relação à destinação de bezerros gerados apenas para a vaca produzir leite durante sua vida útil. Já que a empresa buscava o bem-estar animal, foi sugerida a substituição o do leite animal pelas diversas opções de leite vegetal. Em vez de responder a estas e outras questões, a Nestlé se defendeu em 2015 da denúncia de que apoiava trabalho escravo em um pesqueiro da Tailândia, que utilizava mariscos para a produção de ração de gatos.

Quanto mais conhecimento, mais boicote. Os produtos Nívea não são testados em animais, mas utilizam matérias-primas chinesas que têm um controle de qualidade ligado à crueldade com os bichos. Segundo a lista do PETA, o Boticário também não testa, mas patrocina o Fashion Week, que lança produtos com pele e pelo animal. Uma opção para o vestuário são produtos sintéticos, mas são derivados do petróleo e prejudicam o meio ambiente.

Ao mesmo tempo em que faltou investimento no zoológico do Rio, o atual prefeito Eduardo Paes apoiou a construção do AquaRio, o maior aquário marinho da América Latina. Os (130) milhões investidos pela Coca-Cola seriam melhor mais bem aplicados na despoluição da Baía de Guanabara, defenderam cidadãos neste ano eleitoral. Agora, protetores de animais tentam evitar a chegada de um urso polar e um tubarão ao aquário. De qualquer forma, boicote à Coca-Cola e sua família de marcas, que inclui a água Crystal, sucos Dell Valle, o Matte Leão… Leão-marinho também poderá morar neste Aqua.