Nossa República  completou, dia 15 último,  127 anos. Nessa data,  ano  1889, o Brasil desvencilhou-se da Monarquia  e deu início à Primeira República , que só terminaria com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder, em 1930. São fatos e dados facilmente  encontráveis em compêndios de nossa  história.

Há, porém,  muito mais que isso. E, observando-se bem,  não é difícil  perceber que, em alguns passos, a República alterou fundamente sua  vida política, mas sem  atender  a um bom número de  necessidades essenciais do  homem brasileiro. A educação continuou precária, o analfabetismo seguiu firme, a justiça  manteve-se  diferenciada para com os mais pobres. Ora, se se tratava da res publica  (coisa pública )…-

É de se notar que a Abolição, outorgada com a pena de ouro da Princesa Isabel, havia sido assinada no dia 13 de maio do ano anterior, 1888. Seria de se esperar , portanto,  que, ainda que lenta, se iniciasse republicanamente e com firmeza  a integração social do contingente negro, do ex-escravo, mesmo em meio  às precariedades do homem branco do País, nessa altura já com  um  número considerável  de imigrantes. Cantou-se em alto som, louvou-se a Abolição, mas ficou esquecido  o negro, tanto que, ainda em 1956, impossível negar a realidade  dos versos   de um poeta escuro, Carlos de Assumpção: “A liberdade que me deram / foi um cavalo de Troia./ Havia serpentes futuras/ sob o manto de entusiasmo.” Duro de se ouvir, mas fácil perceber que, passados  mais de 100 anos , as duas datas – Abolição e República —, olharam de longe  os miseráveis , os rotos,   sinônimos que podem ser aplicados para a maior parte da gente negra.

Daí a razão dos movimentos encetados pelo próprio  negro, para corrigir o malfeito. Daí que  a partir do último decênio do século XIX, afro-brasileiros que se haviam safado do analfabetismo – companheiro  costumeiro da miséria –  iniciaram uma imprensa alternativa para tratar deste tema, para apressar soluções, com jornais  como A Pátria, Clarim da Alvorada, O Novo Horizonte , Redenção e iniciaram , com agremiações sociais e de cultura , educar e alfabetizar o elemento negro,    para inseri-lo nas benesses republicanas.

Hoje, em 2016,  com vaias  para nossa  República , noticia-se em  televisão que a média de salário de um trabalhador negro é 42/% abaixo do homem branco… A mulher negra segue  abaixo da mulher branca, que, no geral, recebe  menos que o homem branco.

O Dia da Consciência Negra, lembrado, desde anos, na data   20 de novembro, liga-se  a  buscas antigas que acima citamos.

Não diz respeito tão só a mais de 50% da nossa população – negros, pardos, mulatos. Diz respeito, sim, a um país  que segue ainda  com muita  dificuldade para  alcançar cidadania, respeito e igualdade  para todos-  brancos , negros, índios, e os demais , pobres,  que pisam o chão desta Pátria.