Peço licença a todos os leitores porque este texto foi construído a partir de experiências pessoais e que me levaram a questionamentos que precisei dividir.

Há seis meses, faço parte do coletivo Desguarda Roupa, cuja motivação principal é o incentivo ao consumo consciente de moda. Há pouco mais de um mês, lançamos o nosso site (desguardaroupa.com.br) e passei a fazer entrevistas com marcas, coletivos, iniciativas, etc. de pessoas que também estão no movimento de repensar a indústria da moda.

Em praticamente todas as entrevistas, escutei as problemáticas do meio, tanto em termos de trabalho análogos à escravidão quanto em termos de ambientais (a segunda mais poluente, perdendo apenas para o petróleo, que também a serve para a confecção do poliéster).

E, também, o desejo de mudança para uma indústria da moda mais justa, consciente e sustentável. Dentro desse cenário, uma pergunta fez-se necessária. Em uma indústria que traz tantos problemas, qual a importância dela para continuar trabalhando no meio?

A resposta também foi unanimidade (dita de diferentes formas): a moda é a expressão de uma personalidade, o reflexo do que aquela pessoa é e acredita.

Diante dessa resposta e da observação do quando as tendências influenciam as pessoas, me pergunto se não deixamos de lado essa importância que a moda nos possibilita. E se deixamos, por quê?

Me parece que na sociedade atual, com tanta informação e possibilidades, ao invés de aproveitá-las, estamos ou procuramos seguir regras e padrões. Na moda, por exemplo, ela já serviu para apenas identificar as classes sociais, hoje, ela nos dá uma gama muito maior e nos permite existir como indivíduos. Mas o que estamos fazendo com isso se procuramos seguir o que nos é posto?

Talvez parte da crise que vemos em vários setores também passe por isso. Por essa percepção do quanto somos seguidores e, sem perceber, fazemos parte de esquemas que mais nos prejudicam que nos fazem bem.

E os movimentos de outras alternativas de vida surgem para criar esses espaços em que se permita não mais seguir, mas ter autonomia. Talvez estejamos precisando usar a moda para nos expressar e também utilizar esse empoderamento que ela nos dá para nos expressarmos em outras áreas da vida também.

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