Nos últimos dez anos, vimos o que foi chamado da ascensão da classe C. O que possibilitou a visibilidade de pessoas e lugares que, até então, eram excluídas, como o subúrbio e periferia, ou favelas.

Em três anos, a Rede Globo fez duas novelas fugindo das “tradicionais” partes mais ricas de São Paulo e Rio para “retratar” um pouco da vida das pessoas de uma das maiores favelas da cidade paulista e do subúrbio carioca, em I love Paraisópolis (2015) e Avenida Brasil (2012), respectivamente.

Os figurinos, por exemplo, de Mari (Bruna Marquezine – I love Paraisópolis) e Suellen (Isis Valverde – Avenida Brasil) se tornaram alguns dos mais copiados.

E isso não é visto apenas no Brasil. Na netflix, a série The Get Down, de Baz Luhrmann, que retrata o início do Hip Hop, no Bronx (bairro da periferia nova iorquina), nos Estados Unidos, se destaca pelo figurino de Juliana San Juan.

O hip hop é também retratado no documentário Fresh Dressed, de Sacha Jenkins, através da moda. Nele, Pharrel Williams fala sobre a importância da moda como forma de expressão de singularidade, o que fortalece muitos grupos, inclusive o negro.

Isso mostra a importância do visual significa expressão e poder dentro de tais movimentos. O Afropunk (Brooklyn, NY), os Sapeurs (Congo) e Fashion Rebels se tornaram referência de estilos.

No Brasil, temos o que se chama de Geração Tombamento, movimento (informal) com o propósito de fortalecimento da autoestima de jovens negros urbanos no Brasil, através do reconhecimento de seus cabelos, cor, raízes e criando a própria moda.

O Baile Charme, no Viaduto de Madureira, é um exemplo. Nas cores, usam e abusam dos tons mais fortes e chamativos, como azul, rosa, lilás. Numa mistura do colorido do samba e do funk. A partir da estética, esses movimentos têm criado uma nova lógica de ser e estar no mundo e criando empoderamentos.

Talvez possamos aprender com eles a nos valorizar como seres únicos e singulares. Afinal, não é isso que somos todos?