domingo, terminada aquela sensação, nano resenha por telefone com amiga querida.

um dos pontos, a concordância de que ontem muitas pessoas sentiram por algumas horas o que ela sente todos os dias no Senado e eu, num freela que faço, duas vezes por semana na Câmara.

como suportamos?

simples: não se trata de acostumar-se [se isso acontecer, melhor não lutar nunca mais, e se jornalistas perderem sua capacidade de indignação, melhor mudarem de profissão], mas de ter claro, primeiro, que aquilo não é a nossa vida, apenas uma parte dela; segundo, que é um aprendizado na mesma proporção do enguiço vivenciado, então vale a pena; terceiro, que pode-se adotar duas posturas, sendo uma de resignação, ou mesmo de pessimismo crônico, ou de permitir-se a poderosa mistura de arma e remédio a que corresponde o humor.

de ambas as formas, a vida e o tempo predominarão de forma alheia às nossas vontades, mas, com o humor, pelo menos, se fica de pé – e principal: não se derruba os demais com nosso azedo.

isso, evidentemente, não requer formação em jornalismo.

circunstancialmente, eu e a amiga somos jornalistas.

espero sirva de alguma forma pra quem lê esse relato aparentemente pessoal – e não porque eu seja “bonzinho”, “fofo” [eu morro 15 dias a cada vez que alguém me adjetiva assim], mas precisamente porque as coisas já têm um peso tremendo sozinhas, então dispenso transferência daquilo que terceiros não conseguem – ou preferem não querer – resolver.

tenho profunda dificuldade, somada a um imenso tédio, em lidar com fraqueza.

pé na reta, fé na curva e à luta.