O horário

O salário

O atraso

O filho

O cansaço

A esposa

As regras

O cigarro

A nicotina

A secura

do peito

O rio retesado

Um pouco acima do pulmão

 

O prédio não era tão alto

O salto

A rigidez que encenava

em vermelho desfeita

escrita em silêncio

no chão

 

Era água

80% água

Água e sal

As regras lhe proibiam o que era doce

A cidade tão grande

A São Paulo tão grande

Tanta água…

para o Nordeste não

Parecia tão seco

Parecia o patrão do filho

Eu nem ia muito com a cara dele

Quantos de nós

Encobrimos as rachaduras

Da represa que contemos

Sedentos

Por fora secos

Quanto erro!

 

E o que era seco?

Parecia seco

Agora água e vermelho

Tantas regras

Homem duro

Agora água

Voo do prédio

O nado

para fora da secura

Homem duro?

água ao chão

(não era com a terra o seu encontro

a queda da semente

agora água o rosto finalmente

e molha

o concreto

quase impermeável

da cidade)