Há homens que não sentem desejo pelas mulheres que eles gostariam de sentir desejo. Fazem sexo com linguagem, sem o prazer legítimo. O que eles querem é serem casados, filhos da condição masculina e pais de deveres. Em casa, rezam a benção da tradição masculina: distinguir o prazer profano do viver sagrado.

Se a esposa quiser se satisfazer como mulher, pode até resultar em violência. A música “Maria da Vila Matilde” indica ligar para o 180. Já a ex-modelo brasileira, agredida pelo marido empresário em Nova Iorque, deve ter tomado outra atitude.

Homens que agridem mulheres fazem sexo com linguagem e só soltam a língua para ameaçar:

– Eu poderia estar estuprando ou matando mulheres na madrugada de 1º de janeiro, lá em Campinas, mas estou aqui, batendo na tua cara. O dia em que eu não quiser mais te estuprar, tua vida acaba, porque só eu te desejo.

Algumas opções para mulheres nesta situação: a) aceitar a vida, como se o amor fosse  isso. b) Tornar-se “a feminista que pregava a extinção dos homens”, título de um conto do livro O Vampiro de Quixadá, de Rodrigo César Dias.  c) ter amantes talentosos na arte do sexo com língua. Aqueles que sabem respeitar e fazer feliz a esposa e outras mulheres. Se for um HP (Homem de Programa), ela vai pagar muito e se contentar com pouco:

– Por favor, me chupa com amor.

Há mulheres quase tão assassinas quanto homens agressivos, estupradores e matadores de mulheres.  Elas não amam o marido conforme demonstram. O grande desejo é serem traídas. Provocam situações para serem agredidas e abandonadas. Só assim elas têm acesso ao misterioso processo de ser uma mulher poderosa.

O sexo com linguagem com o ex foi somente para ter filhos. Aliás, usam os filhos para fazerem o ex-maridos sofrerem sempre. Sexo com língua somente com homens que não amam.

– O meu prazer vem quando vocês me pisam, humilham e depois nem olham. Isso me anima e mima. E eu cada vez mais bailarina e melhor.

Eis que chegay e digo o que muitos homos querem ouvir: Sou um homem que precisa ser uma mulher, porque essa mulher em mim me faz um homem muito mais forte. Sou gay nos sentimentos e rei nos machos movimentos.

Porém, para sentir prazer, ele precisa de briga. Nem é violência, é discussão. Essencialmente sexo com linguagem.

O roteiro do conflito está pronto:

– Estou me sentindo muito bem neste pedestal de não te querer mais.

O parceiro não entende o que está acontecendo e implora:

– Tenho com saudades físicas e dores existenciais pelo corpo todo. Você não me ama mais?

– Te amo, mas você não tem nada com isso. Se até amanhã eu não me apaixonar por alguém melhor do que você, volto a te amar como sempre.

Em um casal de mulheres, uma delas faz um primoroso sexo com linguagem e língua, mas somente aos sábados.

– Só porque hoje é sábado, acordo apaixonada e não há mulher melhor amante do que eu. Domingo, o dia é enorme e tedioso. Segunda, terça e quarta-feira,  fique à vontade para arrumar outra. Quinta vem a saudade.

Enlouqueço na sexta e explodo no sábado. É o sábado de cada um. E ninguém te ama mais do que eu – aos sábados.