Chovia

E ela ao olhar pela janela se perguntava

Em meio a admirar as gotas tatuadas no vidro

O que ela ainda estava fazendo ali.

 

Na maratona de seu anseio  insaciável e

Pensamentos mais rápidos que a corrida de Isle of Man

Se via ali, parada, com uma xícara de café na mão

Olhando um cachorro branco a massagear suas costas no tapete de grama molhado.

 

Mas onde queria ela estar?

Numa praia paradisíaca com marguerita e canudo?

Nas geleiras dos Andes?

Na terra seca percorrendo o caminho longo de Santiago?

 

No colo de mãe roçando seus cabelos

Enquanto suas lágrimas os enxaguavam?

 

Suspiro.

 

Queria era a casa asseada com roupas brancas no varal

E girassóis no mezanino.

Queria dar risada de piadas sem graça

E também de banheira tomada de espuma.

 

Queria a presença de si mesma

Tão dela, só dela

A se olhar no espelho

E se ver ali, estática

Alma linkada com corpo.

 

Mas ao invés

Só tinha eco

Dentro de um esqueleto

Coberto de pele

Ressecada.

 

O que havia dentro dela

Se perdeu fazendo mochilão

Por aí,  o tal que

As pessoas chamam de mundo.

E até então não  havia

Ongs  onde encontrar o

Paradeiro de

Almas perdidas.

 

Puxou as cortinas a  fechar.