O cidadão empanado “de bem” – aquele que bateu panelas e que vestiu a camisa amarela da proba CBF para tirar o PT do poder, mas que agora se silencia com os escândalos dos golpistas – não sabe quem foi Fulgêncio Batista.

Não faz ideia da violência social que encerra um embargo econômico.

O mais perto que passou de Cuba foi quando brincou com bonezinho do Mickey nos parques da Disney em Orlando.

Entende que luta de classes é “invenção petista” e confunde convenientemente a injustificável violência da opressão com a legítima reação dos oprimidos.

Zurra que o Chile de Pinochet é exemplo de “sucesso neoliberal’ e de “liberdade econômica”, já que tem por “liberdade” apenas a redução do tamanho do estado – ainda que as cadeias fiquem cheias de presos políticos, pois o único totalitarismo inconcebível é o caribenho.

Acha que as bombas em Hiroshima e Nagasaki não foram genocídios, mas apenas atos de heroísmo yankee para acabar com a segunda guerra mundial.

Imagina que quem foi morto durante a ditadura brasileira era apenas “desordeiro” e que não havia corrupção à época dos generais hidrofóbicos de verde e amarelo.

Prega que a barbárie promovida por estadunidenses e europeus nos continentes mais pobres teve realmente motivações de genuíno “resgate civilizatório”.

Pensa – se é que pensa – que a presença dos EUA no Oriente Médio nada tem a ver com petróleo, pois é tão somente uma benevolente iniciativa estadunidense de propagar a democracia pelo mundo.

E é esse tipo de animal, esse tipo de “cientista político” que não lê e que se informa através de emissoras de TV cujos donos são bilionários capitalistas, que está nos últimos dias a chamar Fidel Castro de “ditador bilionário” e de “assassino sanguinário”.

Fidel não foi santo; e se fosse não gostaria dele, pois sou ateu e não vou com a cara de santo algum.

Mas teve a coragem de peitar e de encarar de frente – literal e geograficamente – o maior império já construído pelos homens.

Fez por seu povo pobre e sofrido mais que qualquer outro político de seu tempo jamais ousou; nem Lula, o maior presidente que o Brasil já teve, realizou metade do que o cubano teve coragem.

Seu legado? Hoje nenhum cubano passa fome, nenhum cubano é analfabeto, todos os cubanos tem saúde, educação, uma moradia digna – tudo gratuitamente – e estão livres da cancerígena mentalidade consumista desde o nascimento. Qual político – em especial de direita – chegou sequer perto disso?

Quando outro homem qualquer conseguir tamanha transformação em seu país, por favor me avisem: vou saudá-lo com o mesmo carinho e respeito eternos que nutro por Fidel.

Até lá deixemos os idiotas espumarem ódio e se exporem publicamente.

E mantenhamos vivo o legado do maior líder mundial do século XX, que colocou com sua bravura uma ilhota rochosa do Caribe no centro do mapa geopolítico da Terra.