AÍ, VOCÊ ABRE A PORTA SE DESPEDINDO DE UM PACIENTE…

“Uai, dotôra, minha menina acabou de sair do seu consultório com a minha esposa. Ela tá tossindo, com o peito cheio. Você não passou nem um xaropinho pra ela!! Que que é isso, gente!! Paracetamol e soro fisiológico no nariz? Palhaçada isso daqui!!”

“Só um minuto. Tchau, Dona Fulana. Oi, quem é a sua filha?”

“A Maria Alice.”

Primeiro pensamento: “Já não basta ter que examinar, orientar, explicar, prescrever? Agora ainda tenho que escutar desaforo na frente de todo mundo…?!”

“Senhor, é isso mesmo. Tá certinho, tá?! Senhora Fulana de Tal, pode entrar!”

Segundo pensamento: “Esse pai não tirou isso da própria cabeça. Ele aprendeu isso com alguém… Provavelmente em ocasiões em que outros profissionais prescreveram xaropinhos de marca para quadros de resfriados simples. Fizeram ele gastar um dinheirão com esses remédios que não servem pra nada. Júlia, não seja mais uma anta na vida desse pai!”

“Pode me aguardar no consultório, Dona Fulana…. Pai, pode ficar bem tranquilo, viu. Eu conversei com a sua esposa. Eu já conheço a sua filha de consultas anteriores. Ela tá resfriadinha, nariz tá escorrendo um pouquinho e a tosse tá bem discreta. O barulho do pulmão também tá normal, viu. Garganta, ouvido, tudo certo! A sua esposa falou que ela tá comendo direitinho… então é só um resfriado. Esses xaropes não ajudam em nada. Só servem pra gente gastar dinheiro. Se vocês acharem que ela não tá melhorando, pode trazer ela aqui amanhã, viu.”

“Viu…. brigadu.”

“Por nada. Bom dia.”

“Bom trabalho”

#médicosdefamíliavãomudaromundo