De ontem para hoje, tive que bloquear no Facebook quatro petistas e fui bloqueado por outros quatro. Tudo simplesmente porque dei a opinião de que o “Volta Dilma” é um movimento irrealista e inútil.

De pronto, fui atacado por uns, pasmem, com o adjetivo de “misógino”. Esse tipo de canalhice pós-moderna não merece comentário, só bloqueio. Mas é sobre outro tipo de acusação que sofri, agora e em outras ocasiões por parte de petistas, que quero refletir.

Essa acusação é a de que eu estaria me aproveitando da base do PT para agradá-la e depois “roubar” base para o Ciro ou para mim mesmo.

Para mim? Base do PT?

É incrível.

Fui filiado a dois partidos na vida, o PDT e o PSB. Do segundo, saí em 2014, quando Marina Silva se tornou candidata, com um artigo-carta-de-desfiliação duríssimo que teve mais de cem mil compartilhamentos na rede, sendo reproduzido por quase todos os principais blogues de esquerda.

Naquele momento, Marina estava dez pontos à frente nas pesquisas para o segundo turno e era a candidata de meu partido.

Apoiei Lula em suas duas eleições e Dilma igualmente. Posicionei-me contra o golpe também de forma tão dura que perdi várias relações. Em vários momentos da vida, votei em candidatos do PT, proporcionais e majoritários, como em Lindbergh nas últimas eleições para governador do Rio.

E mesmo assim, há militantes petistas, e não são poucos, que acreditam que não tenho direito de criticar o partido ou de considerar o governo Dilma um fracasso e sua política econômica em 2015 uma profunda traição.

Essas pessoas envergonham e destroem o PT.

Acho que antes de serem filiadas ao PDT, PSOL, PT ou PCdoB, as pessoas são, em menor ou maior medida, de esquerda. E essa é a única “base” que reconheço. E ela não é de ninguém. Ela é uma rede, e não a da Marina.

Não pedi amizade a nenhum dos petistas que estão na minha página do Facebook. Eles é que me pediram por causa de posts meus que circularam, defendendo um partido que não é meu do que eu acho que tem que ser defendido. Mas parece que para alguns desses não posso criticar o que acho que deve ser criticado.

Grande parte da militância petista não entende o conceito de “aliança”, só o de “adesão”. E já começa a fazer agora com Ciro Gomes o que fizeram antes com Brizola, Garotinho, Eduardo Campos.

Sem querer entrar no mérito ideológico muito diverso de cada um desses, todos tinham o direito de se colocar como opção e alternativa ao PT. Todos foram, depois de um longo histórico de apoio e alinhamento, traiçoeira e implacavelmente massacrados pela militância petista.

Esse tipo de atitude hegemonista é parte da explicação de por que o PT está no isolamento incrível de hoje. As outras partes são que a esquerda não está nada satisfeita com os resultados de seus 13 anos de executivo, e a direita apavorada com o que acha que o PT ainda pode fazer.

Mas os 30% de Lula alimentam nos petistas a ilusão a respeito do estado real de aceitação do partido mesmo dentro da esquerda. Os 30% são de Lula, não do PT.

Lançando um outro candidato qualquer hoje à presidência, mesmo com o apoio ostensivo de Lula, arrisco-me a dizer que o PT teria muitas dificuldades para superar Bolsonaro, pois a maior parte dos votos de Lula na classe média e Nordeste iria naturalmente para Ciro, o PCdoB não está disposto a segui-los e o PSOL cresceu e nunca esteve.

No entanto, isso é somente uma hipótese. Posso estar errado no tamanho do buraco em que se meteram. O que parece certo é que as elites brasileiras planejam o impedimento de Lula antes das eleições. E que mesmo que Lula seja candidato, vai precisar de cada voto possível para encarar o segundo turno.

Por esses dois fatos simples, acho que chegou a hora desses companheiros de esquerda colocarem as barbas de molho. Talvez as coisas evoluam para um quadro em que a única saída para o PT, a esquerda e o Brasil seja Lula apoiar um candidato fora das fileiras petistas. Colecionar mais traições e ódios neste momento não é nada sábio. Mas como sabemos bem, não seria nenhuma surpresa.