Saciada sairia saliente e sonsa

Era para ter sido só um samba

mas aconteceu:

sonho meu

ao fim

a traição

Ainda sim

glândula que incha

e saliência se supura

sibilo átomo

flash de um relâmpago

cristalizou meus sais em sina

rememorada pela espinha

E o que seria só um gozo

Fogo sem remorso

Sorrateira agora cresce

A Sonhidão

Culpa sua

Toda sua

Língua sua

Olhos seus

Se não me percorressem de maneira tão demorada

Mãos suas

Não tocassem minha nuca com as pontas dos dedos

E plumas, plumas,

Pareciam plumas

Fincando em meu ventre

Com um frio estanque

A pluma

A pena

a letra

registro cartorial da minha imensidão

Leal a Ela eu era

Linda Ela

Amorosa Ela

Sempre disponível ela

de minha parte

eu já havia me comprometido

contrato antigo

para sempre Ela

e certeza eu tinha de que não teria traição

E aí, você veio.

E fez

e tornou-me  infiel nessa rasura

Eu, papel em branco que se abre em sulco,

alfabeto incolor que se mistura em vermelho e escorre

A culpa, culpa, culpa!

a traição…

 

Não sabia?

Que da solidão sou noiva prometida?

Não sabia?

Que é amorosa

Só que se enganada

é qual marido violento sem razão?

Que bate e estupra

Se descobre

Ela

Que não sou mais toda sua devota e servidão?

Não sabia?

Mas que mentira!

Que se deita com alguém

de olhar desengonçado

que dança a sós com o samba

em noite de chuva

e suspira

E não sabe que se deitou

com alguém comprometida com a Solidão?

Rá! Rá! Rá!

Que mentira!

Com a

Solidão sim.

Sonhidão não.

Que essa outra foi você quem me apresentou.

Traição de mim

Desengano certo

e agora recuso casamento

a quem havia prometido para sempre

ser a que espera no portão!

E agora?

 

Terei de implorar

Solidão,

querida,

Perdão!

Não me receba desta vez tão furiosa

Por favor, não me arrebenta!

Que a culpa não foi minha

Para Sonhidão não há vacina

Só me resta esperar a virose

sair pela urina

Sonhidão

Sonhidão…

Ilusão.