tarde, noite, dia, ardo.

sonho sôfregos poemas encantados

teus estames, vida, meus estigmas pegajosos

corre dentro de mim

um rio dos teus sorrisos

tremo de ouvir tua respiração pesada

teu corpo em mim,

por toda parte mãos tão delicadas,

as tuas,

mesmo ásperas e, quando distantes,

somos um,

ainda o mesmo sentimento encadeado daí,

que a minha mão se faz a tua

meus dedos se tornam teus

e a tua pele mora agora,

inteira,

dentro de mim tarde, noite, dia,

vago deambulo em uma viagem desenfreada:

as tuas artes;

as minhas partes

tudo, todo, tanto quanto aguento

que me dilacero em mil ideias loucas

doces, férteis, plenas de sentimentos.