– Fala, bro, que manda?
– João, tá sentado?
– Por quê?
– Sério. Tá sentado?
– O que foi, irmão, fala logo.
– Cara, não vou dizer assim, na lata. Ainda tô nervoso até agora…
– Diz logo, velho, tô começando a ficar grilado.
– Mermão, tu vai ficar mais ainda.
– Fala logo Rinaldo.
– Tá sentado?
– ESTOU! Que merda, fala logo.
– Lá vai. Demitiram o James LaBrie e o John Petrucci do Dream Theather…
– Putz! Sério? Que merda. Acabou a banda…
– ACREDITE. Acabou mesmo.
– E aí? Quem vão colocar no lugar?
– Toma aí um rivotril antes pra se acalmar.
– Rivotril? Por quê?
– É. Rivotril. Se tiver whisky, bebe junto. Não é aconselhado, mas dá um barato massa….
– Que é isso? Surtou?
– Depois dessa notícia… pode ter certeza.
– Que é isso, cara, é uma noticia ruim mesmo, mas a vida continua…
– Brother, acredite, a vida não continua.
– Que papo estranho. Sabia que tu era fã do Dream, mas não é para tanto…
– CREIA. É PARA TANTO.
– Você está nessa bad só porque a banda acabou? Que onda…
– Isso é o de menos… CREIA.
– Que é isso??? Estou ficando preocupado contigo.
– Cara, você não está entendendo. A banda não acabou.
– Viu? Por que essa onda errada então?
– Só conto se você tomar o rivotril antes.
– Caralho. Que parada sinistra.
– Toma. 40 gotas.
– 40? Vou cair duro.
– Com whisky.
– De jeito nenhum. Já tomei. Pode falar.
– Sem whisky eu não falo.
– Putz! Não devia ter atendido esse telefone. Estava pressentindo. Pronto.
– Bebeu?
– Sim.
– Toma outra agora.
– Que merda, cara. Não vou tomar mais nada não. Agora conta logo.
– Sem a outra dose, nada feito.
– Ai, ai. Tô colocando.
– Bota 60 gotas dessa vez. Acho que 40 não é o suficiente.
– Tá, tá. Não vou mais discutir. Botei.
– Botou whisky?
– Botei. Pode falar.
– Bota uma dose de vodka também pra anestesiar de vez.
– Não tenho vodka.
– Bota campari.
– Não tenho.
– Bota 51.
– Não tenho. Só tenho whisky mesmo.
– Hummmmm.
– Fala.
– Bota mais rivotril então.
– Acabou.
– Hummmm.
– Fala, caralho.
– Tem mais algum remédio?
– Não sei, espera. Tem dorflex.
– Serve. Bota logo 10 comprimidos. Dorflex é meio fraquinho…
– Aí… botei.
– Bebeu?
– Nossa! Essa bateu na alma… dei até uma tonteada.
– Tá sentindo as pernas?
– Caralho! Tô só remanseando aqui. No grau. Pode contar.
– Tem plano de saúde?
– Ai… por que fui atender esse telefone…. tenho.
– É bom?
– Muito.
– Cobre UTI?
– Caralho, cara. Tô ficando puto já.
– Responde…
– COBRE.
– Hummmmm.
– Fala logo.
– É forte, cara.
– Eu aguento.
– É muito forte…
– Conta, cara. Tô zonzo aqui.
– Já escolheram os músicos substitutos.
– E aí, quem são?
– Não tem mais nada pra beber?
– NÃO.
– Chuta.
– Não sei. O Axl? O Slash…
– Viiiiiiiiiiixe. Tá longe…
– O Sebastian Bach? O Nuno Bittencourt?
– Frio, frio. Dica: é brasileiro.
– Caralho! Gelei.
– O Falcão do Rappa? O Edgar Scandurra?
– Passou longe.
– Putz! Tô ficando doido já.
– Última chance.
– Não sei, cara. Fala logo…
– Joelma e Chimbinha.

– Alô?

– Alô?

– Alô?

– Alô…?