O antigo imperador romano Calígula (37-41 d.C.) apresentava-se aos seus governados como um deus. Temer e seus aliados têm feito ações equivalentes. Em Roma, o cavalo de corrida Incitatus foi nomeado Sacerdote e Senador. Calígula gostava de desmoralizar a todos.

Galopando no Incitatus, Temer indicou o ex-advogado da facção PCC,  Alexandre de Moraes, para ministro do Supremo Tribunal Federal. Há suspeitas de que no ano passado, na condição de secretário de Segurança Pública de São Paulo, Moraes colaborou para investigar e ocultar informativos hackeados do celular da primeira-dama recatada e do lar. Gravações comprometiam Marcela e Temer. O cargo no STF pode ter sido moeda de troca.
Entre os mais recentes absurdos calígulas está a interpretação do depoimento de Fernando Henrique Cardoso para o juiz  Moro, sobre a ação penal na Lava Jato contra o ex-presidente Luiz Inácio da Silva. Foi divulgado que FHC “inocentou” Lula. Isso soou como uma contrainformação. Ele não conseguiu inocentar nem a si próprio pelo erro cometido em um decreto-lei.

A partir do governo Fernando Henrique Cardoso, todo ex-presidente se tornou responsável por documentações específicas e presentes entre governantes de nações. A manutenção desse patrimônio histórico e público gera um custo vultoso, que pode ser assumido por empresas, em forma de doação. O bom senso sugere que o Estado se responsabilizasse por esse acervo e libere as bebidas presenteadas para os presidentes.

Na Lava Jato, Luiz Inácio da Silva, Marisa e o presidente do Instituto Lula foram acusados de receber doações superiores a um milhão, da construtora OAS, para manter “objetos pessoais” em mais de dez containers, onde há documentos públicos, peças de ouro, garrafas de bebida e outros.

O Instituto de FHC já recebeu doações da Odebrecht e recorreu à Lei Rouanet para essa mesma finalidade. O curioso é que o juiz Moro e sua equipe tenham desconhecimento dessa legislação – ou se valeram de uma estratégia para perseguir Lula. Essa mesma acusação seria válida para FHC. Portanto, ele livrou a própria pele.
Não há inocentes nessa história, nem salvadores da pátria. Enlouquecido no seu final de mandato, Calígula praticava o terror como arma de poder. Fazia qualquer coisa com a vida de qualquer pessoa. Ele gostava de ser odiado.

Temer parece gostar do ódio social. Do latim, o termo “Oderint dum metuant” é apropriado para o Brasil de hoje: Que me odeiem, contanto que me temam. Quanto maior o ódio e o temor da população, mais abertura para um fascismo que renasce silencioso. Bolsonaro está bem quieto em sua campanha presidencial para 2018.