Em toda a história da humanidade, nós tivemos pouco mais de quatro ou cinco passagens que foram realmente significativas e irreversíveis.

Noah Harari faz a seguinte divisão: a primeira foi a manipulação do fogo há cerca de 300 mil anos; a segunda foi a revolução cognitiva ocorrida há cerca de 70 mil anos; a terceira foi a passagem da condição de caçadores-coletores para a sociedade da revolução agrícola; a quarta foi o surgimento da moeda, da escrita e de uma ordem política mundial há cerca de 2,5 mil anos; a quinta foi a revolução científica, ocorrida há cerca de 500 anos.

Nos últimos 250 anos, começamos a viver a sexta grande transformação da história da humanidade, e que, por estarmos dentro dela, temos uma visão menos clara do que está acontecendo.

Da Revolução Industrial – ou segunda revolução cognitiva – até a revolução tecnológica, três consequências são praticamente irreversíveis: nós nos multiplicamos numa velocidade nunca ocorrida antes; a “globalização” – se é que entendemos as reais consequências disso na vida prática; e a fragmentação da sociedade dando espaço para o surgimento do “eu” em detrimento da sociedade.

É preciso dizer que, além de nos multiplicarmos exponencialmente, quase dobramos o tempo de permanência nesta nossa experiência. Esse dois fatores tiveram um impacto significativo nas promessas feitas pelo modelo de Estado Democrático proposto após a segunda grande guerra

A previdência, apenas para citar um dos setores que impulsionaram essa crise, tornou-se um transtorno em muitos países. Quando o sistema previdenciário brasileiro foi elaborado, tínhamos uma média de 6 jovens trabalhando para cada aposentado. Este, com expectativa média de vida de 58 anos. Hoje, é apenas um 1,7 jovem para cada aposentado com expectativa de 75 anos.

Estamos passando por uma crise mundial gravíssima. Existem muitos fatores que nos fizeram chegar até aqui. Alguns estão além de uma simples ingerência governamental. Depende da impraticabilidade do sistema capitalista adotado.

No entanto, nada disso é noticiado em larga escala pela mídia nacional. Talvez por desconhecimento voluntário, talvez por incapacidade de compreender os fatos, ou apenas por interesse de se beneficiar da crise – o que é mais provável. Muita gente está lucrando com essa crise. Aliás, beneficiar-se da desgraça alheia e recorrente na historia da humanidade.

É a personificação do pensamento do Barão de Rothschild: quando houver sangue nas ruas, compre propriedades.

É necessário ter consciência de uma coisa: o país deveria ser muito maior que ódio partidário, do que as ideologias baratas de porta de botequim. Quando não entendemos a importância de lutar por um Brasil melhor, não é A ou B que perde, é todo o conjunto. Somos nós. E creiam, juntos somos mais fortes.

Toda a crise política atual existiu para conclamar o caos, agravar a situação econômica, e realizar algumas agendas que evitarei repetir. Estamos encenando os atos finais.

O Brasil é o país do futuro. Tem todas as condições para tal. Mas precisa acordar. “O homem tem o poder de escolher a vida em todas as circunstâncias”. (Sartre)