Um dos principais pontos abordados pelos intelectuais, principalmente europeus, a partir do movimento humanista do século XVIII, foi a ideia da autonomia da razão e do pensamento reformado.

Foram muitos os movimentos que clamaram pela sua emancipação: o Iluminismo de Kant, o Existencialismo de Sartre, as proposições dadas pela Escola de Frankfurt de Felix Weil, entre outros.

Nietzsche trabalhou essa ideia com o conceito do Übermensch, muito mal traduzido durante muito tempo, e muito, mas muito mal interpretado pelas linhas históricas que o sucederam.

A proposta do filósofo alemão era tão-somente que o homem das futuras gerações precisaria extrair uma moral, e por conseguinte uma ética, diferente da fundamentada anteriormente.

Esse novo homem, dessa nova sociedade que estava por surgir, precisaria acima de tudo de um sentimento iconoclasta, e assim por diante, construir valores a partir de si mesmo e distante do asceticismo moral que impregnara as diversas culturas nas mais diferentes épocas.

Todavia, é preciso dizer que, após todos esses movimentos, a impressão que temos é de que o projeto humanista resultou num grande fracasso – pelo menos até agora.

Após esse esclarecimento da razão, genocídios das mais diferentes categorias foram cometidos em nome de todas as causas: de deus, do diabo, do bem-estar da coletividade, da democracia, do capital etc. – o que não foi diferente de todas as outras épocas precedentes.

É difícil acreditar que o homem tenha condições psicológicas que lhe forneçam a estrutura necessária para caminhar com as próprias pernas, com o próprio intelecto.

Alguns, como Hegel, Schopenhauer e Marx, entenderam que a história “anda em círculos” e que esta “poderia” solucionar parte dos seus problemas a cada época, podemos concluir que a experiência não é muito promissora neste sentido.

O homem continua dependendo de ídolos, de deuses e de modelos de homens para situar sua pobre existência no tempo e no espaço. Nesse sentido, surgem patetas como Pelés, Sennas, Gugas, Medinas, Malafaias, Bolsonaros, papas, entre outros.

O homem continua perdido no próprio umbigo e escravo da necessidade de justificar o sentido da existência a partir de uma lógica que ele mesmo não possui.

“Aqueles que deveriam não apenas refletir sobre a crise, mas principalmente dar publicidade às grandes questões do nosso tempo, estão em inquietante silêncio. Ou são silenciados pela forma da organização política e pelos valores dominantes da sociedade”. (O silêncio dos intelectuais – Adauto Novaes)