Certo sábio disse que “o caminho para o inferno está pavimentado de boas intenções”.

E é exatamente esse caminho para o qual certos políticos que batem no peito e se orgulham de que “não são corruptos” querem levar o povo.

As pessoas honestas, minimamente politizadas e bem informadas sabem que, no cenário político nacional, existem políticos que não aparecem em esquemas de corrupção e estão incólumes em seus mandatos. São os casos de Romário, Reguffe, Cristovam Buarque, a própria presidenta Dilma (sim, ela, e doa em quem doer), enfim. Há muitos contraexemplos que colocam por terra a crença de que “nenhum político presta”.

 

Agora, o que esses políticos fazem e fizeram por seu estado ou por seu país? Você, peão do destino no senso comum, brasileiro médio, já fez essa comparação entre políticos que você conhece? Ou você não sabe nem a cor da roupa de baixo que usa (e se é que usa)? Por ser brasileiro médio, acredito que sua situação é o segundo caso na maioria das vezes.

E por que estou perguntando isso? Por um fato que você provavelmente não sabe: existem políticos que não são corruptos, mas que têm as piores propostas para você, trabalhador de sol a sol. Alguns propõem coisas como, por exemplo, cortar décimo terceiro e férias. Se você for mulher, tem políticos que fazem propostas para cortar seu auxílio-maternidade e benefícios que lhe foram negados por séculos e que foram conquistados com muita luta e suor.

Existem políticos que não são corruptos, mas que desejam pena de morte para seu ente querido que foi vítima de uma falsa acusação da polícia. Você ama esse ente querido e não quer que ele morra. Como mudaria essa situação? Qual o conceito de justiça que você espera de um político?

Existem políticos que não são corruptos, mas que defendem a volta de um regime no qual você não pode sair de casa após às 22:00, sob pena de ser confundido com um “subversivo comunista” ou coisa do tipo. Para depois ser detido, torturado e ter seu direito de ir e vir tolhido. Como são tempos de tecnologia, tudo o que você disser nas redes sociais poderia ser usado contra sua pessoa em tal regime. O Estado o surraria constantemente. Você, brasileiro médio, quer, em pleno século XXI, era da tecnologia, liberdades e internet, viver em um regime em que você sequer pode sair de casa ou desfrutar do direito humano de ir e vir e à hora que quiser?

Existem políticos que não são corruptos, mas que defendem a imaginários aberrantes como “não existe racismo”, “não existe homofobia”, “se seu filho nasce gay é porque você não deu umas palmadas nele”. Se você tem um filho ou uma filha negro(a), gay/lésbica e, no caso de você ter alguma humanidade no coração e gostar dele, ou dela, gostaria que um político desses fosse eleito?

Se você leu este texto até aqui, pode ter notado que ele tem um forte viés cognitivo. E é intencional. Porque você tem a crença imbecil de que, “se o político não é corrupto, ele é o melhor para o país”. Um político que defende todas as coisas que citei nos quatro últimos parágrafos, e que não é corrupto (dizem), é Jair Bolsonaro. E você, brasileiro médio das massas ignorantes e alienadas, pode provavelmente achá-lo um político maravilhoso. Quando, na verdade, ele quer acabar com o país, quer acabar com direitos (e muitos deles, humanos) que são meus e seus, quer acabar com sua família, quer acabar com sua liberdade e seu salário. Você já parou para fazer esta reflexão, se é que algum cérebro ainda lhe resta?

Então, caro brasileiro médio, você é um dos responsáveis por deixar nosso povo no perigo das “boas intenções” que nos leva ao inferno político e social. E por que você é responsável? Porque você é um sujeito que odeia política e acha que entende disso, quando, na verdade, nunca se informou e, mesmo em plena era da internet, consome opiniões prontas da TV e dos grandes jornais que pensam por você. Já que os grandes empresários do ramo sabem muito bem que você não tem cérebro e que isso é bom para os lucros de audiência deles.

Você, brasileiro médio, é um demônio tão cheio de boas intenções quanto é vazio de cérebro. E dá razão para que, na mais pacífica das conversas, o chamem de estúpido.