Recentemente, a C&A lançou uma campanha para mostrar a beleza das mulheres gordas e sua sensualidade. No entanto, recebeu muitas críticas porque a modelo não representava o público a ser atingido. Os comentários falavam que a modelo não poderia ser considerada gorda, talvez nem acima do peso.

Há duas semanas, a revista Vogue e a agência Africa lançaram uma campanha dos Jogos Paralímpicos cujos (na qual os) atletas foram representados por dois atores que foram “desmembrados” no photoshop. As críticas foram imensas pelo fato de não terem usados os próprios atletas.

Em 2009, um acordo entre o Ministério da Previdência Social e a Luminosidade (empresa responsável pelo São Paulo Fashion Week) garantia que, pelo menos, 10% do casting de cada desfile fosse com negros ou descendentes indígenas. O acordo durou apenas dois anos. E, em meados do ano passado, a modelo Nykhor Paul desabafou em sua conta do Instagram sobre a falta de preparo dos maquiadores com a pele negra. Segundo ela, nem produtos para este tipo de pele eles possuem.

A representatividade é importante, principalmente, na moda. Como já dito em textos anteriores, a moda é um reflexo da sociedade e seus costumes. Porém, atualmente, parte da indústria ainda não entendeu as mudanças que estão acontecendo no mundo.

Se, antigamente, apenas a elite tinha voz; nos dias atuais, todos podem tê-la. A internet nos permitiu isso. E permitiu que entendêssemos o quanto (ainda) somos mal representados. As pessoas querem olhar as campanhas de moda e se sentirem reconhecidas ali. Não querem mais se transformar e buscar padrões irreais.

Quando não se sentem representadas, a marca só consegue afastar o consumidor dela própria. É o fazer parte e pertencimento que, de certo modo, todo ser humano busca.

Com a internet, também percebemos o quanto somos diversos e não precisamos de um padrão. Mas, sim, ressaltar a diversidade e riqueza de culturas que temos. E precisamos fazer isso de forma real, não através de programas, artifícios, aproximações, etc.