E já não diz

E já não ofega nem afaga

E já não projeta cores sob o papel em branco

somente o vermelho sob o verbo silenciado

a não-cor

dor…

E nem a carne de seu corpo lento acompanha o tempo de sua ânsia

E enquanto lava a louça, lava a casa, lava a roupa,

se lava de todas as lavagens

(inclusive mentais)

sente escorrer pelas mãos

a umidade dos anos que vincam a pele

fazendo os caminhos que não mais sonha percorrer

E sempre lhe diziam que teve muita força

mas só o que sentia era cansaço

Será que a enganaram?

Negaram

apenas

Voz…

Vociferaria sua força

não a tivessem nomeado antes de outra coisa

E já não diz.