Andrea Sachs entra na sala de Miranda Presley para participar da reunião na qual se definiam os looks a serem fotografados na próxima edição da revista. Sem notar a diferença nos detalhes de um cinto, Andrea afirmou ainda estar aprendendo sobre esse mundo da moda de uma forma que se pode entender como pejorativa.

Miranda Prestley, então, responde: “Você acha que nada aqui tem a ver com você. Você vai até o seu armário e escolhe, digamos, esse suéter horroroso, por exemplo, porque está tentando dizer ao mundo que se leva muito a sério para se importar com o que você vai vestir, mas o que você não sabe é que a cor desse suéter não é um simples azul, não é turquesa, não é lápis-lazuli, ele é azul-celeste. E você ignora o fato de que em 2002 Oscar de la Renta fez uma coleção de vestidos azul-celeste, acho que foi Yves Saint Laurent que fez jaquetas militares azul-celeste.E então o celeste apareceu depois em coleções de 80 outros estilistas, e então, passou para as lojas de departamento e depois foi parar em lojas populares, onde você sem dúvida comprou esse suéter numa liquidação. No entanto, azul representa milhões de dólares em incontáveis trabalhos e é meio cômico como você acha que fez uma escolha que a exime da indústria da moda quando na verdade está usando um suéter escolhido para você pelas pessoas dessa sala em meio a um monte de coisas”.

A cena citada é do filme ‘O Diabo veste Prada’ e é uma das mais marcantes, porque muitos são os que subestimam a moda. Futilidade e frivolidade são as principais características de desvalorização que recebe.

Mas ela impacta e transforma o mundo muito mais do que se imagina e afeta a todas as pessoas (direta ou indiretamente), como a personagem de Meryl Streep afirma. Atualmente, a moda possui uma produção feita por pessoas que vivem em condições sub-humanas e poluidora de ar, rios e mares.E é importante que se tenha consciência do papel e influência nesse quadro. A indústria do algodão, por exemplo, é voltada para o mercado de moda, e sua principal matéria-prima, recebendo em torno de 80% da produção total direcionadas para o meio.

No Brasil, há mais de um milhão de hectares em plantações de algodão. Nelas, são utilizadas 2,8Kg/ha de pesticidas/inseticidas, o que infecta mais de 70 mil pessoas por ano. São produzidas mais de 1,5 milhão de toneladas da pluma, e dessas 1,2 milhão de toneladas são destinados à moda. E… solos prejudicados nesse ciclo.

O algodão que chega à indústria da moda, é transformado em 9,4 bilhões de peças de roupa. Desses, muitos vão para aterros sanitários ao serem descartados após uso. E não se engane, mesmo em se tratando de tecidos de algodão, apenas 20% conseguem ser reciclados – o processo de reciclagem só é possível com o fio puro, o que é difícil de se conseguir pelas devido às misturas que sofre no processo de confecção, por isso, esse baixo número de reciclagem.

Então, o simples fato de comprar uma peça de algodão já coloca qualquer um como parte desse todo, dessa indústria, e contribuinte do cenário atual que vemos na moda, com (dados do texto Bruna). Por isso, os problemas desse meio ganharam força e, para serem solucionados, é preciso que nos responsabilizemos todos, inclusive você, que acredita não ser parte da moda. É você que tem papel fundamental nessa história.

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